O Reino Interno

“Nem todo o que me diz Senhor, Senhor! entrará nos reinos dos céus” (Mateus 7:21)

Parece estranho que o Mestre tenha excluído do reino do Pai alguns daqueles que o chamam Senhor. Analisemos mais detidamente o versículo.

Sabemos que o chamado reino dos céus não é um recinto em que se possa entrar, nem sequer, em sentido absoluto, um plano que nos caiba ascender.

É, acima do tudo, um estado de espírito, o regozijo de quem experimenta a união com a Divindade. Então, só então, alcançando um princípio de união com Deus, é que temos a Jesus como absoluto Senhor de nossa vida.

E não julguemos que basta a boa vontade inoperante ou o simples desejo para nos colocar em submissão ao Criador: que pode fazer por nós a falsa consciência de elevação espiritual, o engano de uma aparente reforma segundo os conceitos evangélicos, a ilusão de estarmos redimidos e ainda de proferirmos a palavra Senhor em vão?

Invoquemos Deus com humildade, rogando suas bênçãos em todos os momentos, mas não julguemos seja Ele realmente Senhor de nossas vidas enquanto alternamos pensamentos elevados com ideias antifraternas, vibrações de amor com sentimentos menos caridosos, impulsos de avanço espiritual com queda e erros.

Seja esse o nosso maior anseio: o de nos purificar para o “Reino dos Céus”.

Fonte: “Comentários Evangélicos”  Capítulo 12 – Bezerra de Menezes